terça-feira, 23 de agosto de 2016

Negligência ou Direito?

Se cometi alguma negligência com meus filhos foi a de confiar a formação deles a um sistema de ensino falido. Não estou aqui para criticar esta ou aquela escola, estou falando de um sistema de ensino tanto público quanto privado que parte de um visão de mundo competitiva e conservadora que visa a atender as exigências do capitalismo.
Esse sistema é engessado e retrógrado e condiciona, inibe, rotula e sufoca professores e alunos. Por ser ele competitivo e vir a servir o sistema capitalista em que impera a lei do mais forte sobre os mais fracos, não permite às crianças e jovens desenvolverem valores humanos como  a solidariedade, a caridade, a compaixão, a colaboração, a equidade e principalmente o amor, sem o qual nenhum dos anteriores seria possível. Aliás o amor hoje em dia é quase banido de nosso vocabulário, quem fala de amor é considerado fraco, idealista e fora da realidade.
O sistema de ensino que reproduz a própria sociedade é classificatório, excludente e os professores são treinados para “dominar” a turma através de uma postura autoritária. Transformam nossas crianças em robôs mecanicamente preparados para reproduzir ideias, conceitos e comportamentos totalmente ultrapassados para o mundo do século XXI. Tornam-se jovens pouco ou nada críticos, com pouca cultura, pouco conhecimento sobre a vida e pouca capacidade argumentativa, a maioria deles têm seus sonhos sufocados. Vejo jovens saindo do Ensino Médio despreparados para a vida e programados para continuarem a reproduzir a ordem competitiva, repetitiva, pouco criativa e sugadora de sonhos e desejos.
Mas se entendemos claramente que a sociedade precisa mudar, que esse projeto de desenvolvimento humano está pondo em risco a nossa espécie humana, não podemos tentar consertar as coisas usando esses métodos tradicionais que nos trouxeram até aqui, a sociedade precisa ser reinventada, a escola precisa ser reinventada. E quanto mais pessoas se conscientizarem sobre isso, falarem sobre isso e agirem para essa transformação acontecer, mais próximo estaremos de viver em um mundo melhor, mais justo, menos intolerante, onde as pessoas tenham liberdade para dizer o que pensam e sentem e a viverem da maneira como acreditam ser melhor para elas.

Tenho plena certeza das minhas palavras e considero um direito fidedigno o meu direito de escolha em relação ao tipo de formação que desejo aos meus filhos, mesmo que isso signifique que eu tenha que transformar toda a minha vida por eles e quem sabe um dia ajudar a transformar a vida de outras pessoas.

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