quarta-feira, 19 de agosto de 2015

De quem é a responsabilidade?

                A racionalização humana nos transformou em seres pensantes, teóricos, tecnicistas e hoje em dia estamos escravos de um estado mental que nos afasta da ação, obscurece a realidade porque nos afasta do sentir.
                Vejo as pessoas envolvidas em um novelo emaranhado do qual não conseguem escapar. Como robôs foram programadas para viver de forma uniformizada, desconectada e estão doentes, mas não conseguem compreender o  porquê. Aos poucos descobre-se que os alimentos consumidos são verdadeiras drogas, a água está poluída, o ar está contaminado e as pessoas estão matando umas às outras.
                As pessoas saem às ruas para protestar sobre algo que nem sabem direito o que é, projetam suas insatisfações pessoais nas outras pessoas e acreditam que expressar a sua violência, intolerância, preconceito e falta de democracia vai resolver alguma situação. Daí então, saem da manifestação e voltam às suas vidas e produzem milhões de toneladas de lixo diariamente, jogam esgotos nos rios, consomem diariamente produtos industrializados (que além de serem prejudiciais à saúde, geram lixo, poluição, desmatamento e condições de trabalho precárias), zombam dos ignorantes, passam a considerar normal uma pessoa semelhante a você viver em total miséria, trabalham feito condenadas e sentem-se infelizes e acham que depor um governo vai fazê-las sair de suas vidinhas medíocres e escravizadas porque resolver a própria vida deixa de ser minha responsabilidade e passa a ser responsabilidade do governo, sendo que o governo somos nós mesmos. Cada um de nós em nossas vidas dominadas e ridicularizadas por um sistema competitivo, injusto e cruel é responsável por tudo o que estamos vivendo, a responsabilidade é de cada um de nós.
                A democracia foi uma grande conquista política porque ela dá voz às pessoas, mas para que as pessoas possam manifestar a própria voz não devem esquecer da igualdade. Defender uma ideia contrária virou sinônimo de agredir, humilhar, odiar, execrar, coibir, deturpar e vencer pela força. Deve-se ter cuidado com a intolerância porque ela nos transforma em seres destruidores, capazes de destruir a nós mesmos somente para atender o orgulho de estar certo, ser o melhor, dominar, ter o poder.
                A humanidade vive num colapso, mas a grande maioria não consegue enxergar. Definitivamente está claro que o sistema capitalista não deu certo e está ruindo, como já previsto, a grande questão é que agora a espécie humana corre risco de extinção. Uma nova era está para começar e há duas possibilidades, uma delas é reinventar o nosso viver, a outra é guerrear até que todos estejam mortos e o planeta destruído.
                Não entendo muito de política, entendo sobre a vida real, vejo populações sendo dizimadas como as populações indígenas, quilombolas e as comunidades tradicionais e tantas outras. Vejo uma cultura de sabedoria milenar sendo descartada, vejo um mundo de desigualdades e um país de intolerância onde as pessoas se agridem diariamente e banalizaram completamente a vida. Vejo que os rios estão poluídos, as nascentes estão secando e as florestas estão destruídas e isso tudo é culpa de nós mesmos. Nós, seres humanos, que nos consideramos tão evoluídos e inteligentes estamos destruindo nossa própria vida e a vida em nosso planeta,
                Só acho que as pessoas deveriam refletir melhor sobre suas ações e analisar a coerências de suas falas. E se quiserem se manifestar ou manifestar suas insatisfações, que se lembrem que pode haver alguém com um pensamento diferente do seu e na democracia isto é permitido. Xingar, deturpar e ridicularizar aquele que tem uma opinião diferente da sua é mera demonstração da incapacidade de argumentar, conviver e olhar para aquele que está a seu lado. Perdemos a capacidade de dialogar, de amar e estamos perdendo a capacidade de sermos humanos.
                Pensem nisso. É só uma reflexão...

                

terça-feira, 18 de agosto de 2015

INTERDISCIPLINARIDADE E TEORIA CRÍTICA DA EDUCAÇÃO



Compartilho aqui mais um trabalho apresentado no curso de pós-graduação em Educação Ambiental da UFLA, espero contribuir com esse material.


INTERDISCIPLINARIDADE E TEORIA CRÍTICA DA EDUCAÇÃO

            O presente trabalho foi realizado sob a ótica da Teoria Crítica da Educação, cujo principal autor é Paulo Freire, em cujos textos se pode localizar os termos aqui citados como Educação Bancária, práxis educativa e a forma de se conceber a educação e o ensino.

Palavras- chave: Interdisciplinaridade; práxis; informação, educação; Paulo Freire.


1 INTERDISCIPLINARIDADE
            A interdisciplinaridade é um conceito que precisa ser entendido a partir de uma visão de ensino globalizada, deve contemplar a contextualização dos conteúdos, requer a reflexão constante sobre as metodologias e as ações desenvolvidas, o aluno é visto como sujeito de sua aprendizagem e o ensino deve contemplar uma visão crítica da realidade. A visão de ensino globalizada requer a superação da educação bancária em virtude de uma educação libertadora, reflexiva e problematizadora da realidade.
            A metodologia de projetos é a maneira utilizada no ambiente escolar ou em outros ambientes educativos que faz uma tentativa de superar o ensino fragmentado nas disciplinas, é a possibilidade de transformar a prática em práxis e reconstruir um novo desenho do processo educativo.
            O texto da Resolução 2.197/2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento do ensino nas escolas estaduais de educação básica de Minas Gerais, inclui a interdisciplinaridade e a contextualização:

Art. 56
§ 1º Na implementação do currículo, deve-se evidenciar a contextualização e a interdisciplinaridade, ou seja, formas de interação e articulação entre diferentes campos de saberes específicos, permitindo aos alunos a compreensão mais ampla da realidade. 
§ 2º A interdisciplinaridade parte do princípio de que todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos e a contextualização requer a concretização dos conteúdos curriculares em situações mais próximas e familiares aos alunos. 


2 SABER, EXPERIÊNCIA, INFORMAÇÃO

            Na Pedagogia Crítica o saber é muito mais do que um acúmulo de informações e dados, ensinar exige criticidade e troca entre o professor e o aluno. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática num movimento constante dinâmico e dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer, é a superação da ingenuidade no agir , despertar o gosto por aprender, estimular a curiosidade de todos os envolvidos no processo educativo, transformar o espaço educativo num espaço de transformação, de trocas, de vivências. Esta forma de ensinar e aprender é conhecida como práxis, pois não há como dissociar teoria e prática, o professor e o aluno tornam-se sujeitos da aprendizagem. A práxis educativa está presente na vida do professor que se propõe a assumir uma postura crítico-reflexiva.  

3 REFERÊNCIAS

FRADE, Elaine das Graças. POZZA, Adélia A.A. BORÉM, Rosângela A.T. Educação Ambiental na diversidade: guia de estudos. Lavras: UFLA, 2010.
MINAS GERAIS (Estado). Resolução SEE nº 2.197 de 26 de outubro de 2012. Diário Oficial de Minas Gerais de 27 de outubro de 2012, págs. 65-67.
http://www.infoescola.com/pedagogia/praxis-docente/ (acesso em 16/08/2015 às 10:31)
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia, saberes necessários à prática educativa.36ª edição, São Paulo, Paz e Terra, 2007.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Quando sinto que já sei


QUANDO SINTO QUE JÁ SEI...

      ESSE DOCUMENTÁRIO NÃO PODERIA FALTAR NESSE BLOG.
                                                                              
                                                                                        GRANDE ABRAÇO À TODOS!




terça-feira, 28 de abril de 2015

28 de abril - DIA DA EDUCAÇÃO





Aos meus amigos, leitores,  colegas de trabalho, alunos, ex-alunos e aos professores que tive e ainda terei:

Tenho visto ao longo de minha caminhada, muitos colegas de trabalho insatisfeitos com sua profissão, os problemas na educação no Brasil não são novidade.
Com certeza as condições de trabalho do professor, principalmente do ensino público, são adversas, de um professor de Escola do Campo são piores, falta material, falta formação, problemas com salário, etc. Realmente as condições do ensino público são adversas, muita coisa precisa melhorar, mas a mudança começa dentro de cada um de nós.
Olhando por outro aspecto o que tenho a dizer é que sou muito feliz em minha profissão porque através dela posso me tornar uma pessoa melhor e contribuir para a mudança do mundo.
Eu acredito no meu trabalho porque o meu trabalho me transformou e quando eu sou capaz de me transformar também transformo gradativamente aquilo que está à minha volta.
Através da minha profissão conheci pessoas maravilhosas, vivi histórias incríveis. Gosto muito da minha profissão porque gosto das pessoas, admiro o ser humano e acredito na capacidade de superação que cada um carrega dentro de si.
Sou professora por escolha, sou professora do ensino público por escolha e digo isso com orgulho. Se eu ficasse olhando somente para os problemas, seria incapaz de enxergar o quão nobre e maravilhosa pode ser esta escolha. Aprendo a cada dia e quero aprender sempre mais. Aprender a amar, aprender com o outro, aprender a conviver, aprender a ser melhor e melhorar o mundo.
O sentimento que carrego é o de agradecimento à todos aqueles que já caminharam comigo por este caminho, aqueles que ainda caminham e compartilham desse mesmo sonho e aos que ainda encontrarei nesta jornada maravilhosa, nesta missão de vida que Deus me deu como educadora.

Eu acredito!

sábado, 25 de abril de 2015

A Busca do Tema Gerador na Práxis da Educação Popular

Compartilho este material, porque acredito que os saberes devem ser compartilhados, mas principalmente postos em prática através de uma educação dialógica.

domingo, 8 de março de 2015

Lindo texto de Rubem Alves - é o meu favorito!

Não cobiço nem disputo os teus olhos
não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
nem sei tampouco se quero ver o que vêem e do modo como vêem os teus olhos
Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo
Se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo
Não me digas como se caminha e por onde é o caminho
deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser
Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias
mesmo que tu me percas e eu te perca
algures na caminhada certamente nos reencontraremos
Não me expliques como devereis ser
quando um dia as circunstâncias quiserem que eu me encontre
no espaço e no tempo de condições que tu entende e dominas
Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas
Não me prendas as mãos
não faças delas instrumento dócil de inspirações que ainda não vivi
Deixa-me arriscar o molde talvez incerto
deixa-me arriscar o barro talvez impróprio
na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro
E não me obrigues a ler os livros que ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar
Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos
ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida


Rubem Alves

terça-feira, 3 de março de 2015

Escola do Campo e a Construção de sua identidade

Em 2004, dados do IBGE apontam que cerca de 30 milhões e 800 mil pessoas viviam no campo no Brasil. Apesar disso, a preocupação com a Educação do Campo é recente, quando as políticas públicas de educação chegam ao campo apresentam-se como conceitos "urbanocêntricos", quanto ao currículo, perfil de professores, calendário, supervisão e outros.
É preciso se enfrentar o desafio de implementar uma Educação do Campo contextualizada e particularmente voltada a fortalecer a agricultura familiar e procurar formas de incentivar e viabilizar a permanência da população campesina no campo com qualidade de vida e acesso aos direitos sociais básicos: educação, saneamento, saúde e lazer.
Uma das principais ferramentas para auxiliar no trabalho de construção da identidade campesina é a Educação Ambiental, sustentada pela prática atenta às particularidades e necessidades da comunidade.
O objetivo deste blog é compartilhar parte do meu trabalho que está sendo realizado na direção da Escola Estadual Joaquim Alvarenga Maciel e que tem abrangido inúmeros parceiros, expor nossas ações, trocar informações e experiências.

São parceiros: IEF - Parque Estadual da Serra do Papagaio; Espaço Lua Branca; Associação Vale das Montanhas; Polícia Ambiental; Brigadistas; CRAS.

Fonte de consulta: Parecer CNE/CEB nº 23/2007